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A subida da luz em Espanha afeta Portugal?

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No primeiro mês do ano, os nossos vizinhos espanhóis ficaram alarmados com as notícias do aumento do preço da eletricidade no mercado grossista, que chegou a superar, pela primeira vez naquele país, o valor de 100 euros no seu momento mais caro.

aumento de preços na eletricidade

Em Portugal a situação foi parecida e, como na Espanha, a escassez de chuva e vento (que provocou uma redução na produção das energias mais baratas, hídricas e eólicas), o aumento do consumo devido ao frio do inverno e, ainda, a venda de energia elétrica para a França que, desde que um terço das suas centrais nucleares foram fechadas por questões de segurança, passou a importar mais energia da Península Ibérica, também fez com que os preços da eletricidade, no mercado grossista, no nosso país, atingisse elevados recordes desde fevereiro de 2014.

E por que razão, apesar da subida de preços, aqui, ter sido equivalente à dos nossos “hermanos” ibéricos, este assunto não causou tanta polémica nos nossos jornais? Na Espanha, 46,3% dos consumidores domésticos ainda possuem as tarifas reguladas, e ali, diferentemente de Portugal, o preço final da energia que chega aos consumidores oscila a cada dia e hora em função daqueles estipulados no leilão do mercado grossista, realizado 24 horas antes.

No nosso território, esta variação não influencia os valores repassados aos clientes finais. A ERSE (Entidade Reguladora de Serviços Energéticos), no final de cada ano, determina as tarifas transitórias de eletricidade que deverão ser cobradas pelos comercializadores de último recurso, durante o ano seguinte. Este valor é fixo e já prevê possíveis flutuações que possam ocorrer no preço da eletricidade no mercado grossista.

No mercado livre elétrico de Portugal a situação também é parecida e, cada uma das empresas define o seu próprio tarifário (com base, ou não, nos preços regulados pela ERSE) já considerando a instabilidade do mercado grossista. Caso o valor da energia aí seja mais baixo do que o previsto pela comercializadora, esta terá uma margem de lucro maior; no entanto, se os preços aumentam muito, a companhia ganhará menos.

Mas, e quanto às tarifas indexadas? Algumas comercializadoras portuguesas possuem as tarifas indexadas que assumem, em parte, estas oscilações. Nestas, à diferença dos preços regulados do mercado espanhol, estão estabelecidos um teto máximo garantido, ou seja, o consumidor jamais pagará mais do que aquele valor designado anteriormente pelo plano contratado; no entanto, poderá receber uma fatura mais baixa quando cair o preço da eletricidade no mercado grossista português.

“Nós possuímos uma grande vantagem em relação ao nosso país vizinho, pois, apesar da eletricidade, durante o mês de janeiro, no mercado grossista em Portugal, ter apresentado uma grande alteração e ter chegado a atingir valores muito elevados, os consumidores portugueses não veem este aumento refletido nas suas faturas, mesmo aqueles que ainda não fizeram a transição para o mercado liberalizado; enquanto que, na Espanha, mais de 45% dos clientes domésticos verão as suas despesas elétricas afetadas em até 9 euros.”.

Carlos Afonso Sobral, responsável da Selectra Portugal

Nós, portugueses, podemos então manter a calma, pois, depois de escolhidas as tarifas e o nosso comercializador de eletricidade, os riscos com os aumentos do mercado grossista pertencem apenas às companhias.

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